segunda-feira, 18 de setembro de 2017

NÃO SOLTE O REMO






Enquanto não abandonar o barco,
Não solte o remo.
Desça por cachoeiras,
Arrisque-se em águas revoltas,
Em águas mansas, descanse.
Respeite as correntezas,
Acompanhe-as.
Elas te levarão para o outro lado,
Para um lugar que não foi pensado.
Surpresas podem ser surpreendentes.
Mas... não solte o remo
Enquanto não abandonar o barco.

                                           Maria do Carmo Marinho

GAIOLAS






Na vida tudo muda...
Estou certa disto.
Se não tenho poder sobre nada,
Que eu possa ser dona de mim.
O tempo passa...
A vida passa...
Os sonhos passam.
O mundo está cheio de gaiolas.
Por todos os lados...
A nos aprisionar.
Odeio gaiolas!
A qualquer hora voarei.
(...)
Para qualquer liberdade

                                                           Maria do Carmo Marinho

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

LIBERTAÇÃO




          

                   
Para viver não basta cumprir normas. É PRECISO TRANSGREDIR.
                              
Eu cresci. Agigantei-me.
O caminho por onde andei,
De pedras,
Ah! Quantas pedras, meu Deus!
Onde pisei descalça...
Burilou-me, lapidou-me,
Assim... como se quisesse
O máximo de perfeição.
Não importavam os meios.
E eu fui assim...
Num caminho estreito,
De onde fugir não podia,
Sentindo, que viver
É muito mais
Do que cumprir normas,
Inconsciente e servil.
Sujeitar-se ao permitido e proibido,
Liberado, censurado,
Como máquina,
Manipulada, programada, controlada.
Foi neste motim,
De inquietações,
Desafios, confusões,
Que eu cresci. E me tornei,
Para desgosto de alguns,
Menos INDIVÍDUO
E muito mais PESSOA.

                      Maria do Carmo Marinho

A liberdade só se adquire através do conhecimento e do trabalho remunerado. De outra maneira, qualquer liberdade não passa de utopia.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

DIA CINZENTO








Ah...esse dia cinzento...
Abandono-me
Em atropelos do recomeço
Que não têm fim.
Todo dia...
Retirar, não sei de onde,
Forças para seguir adiante,
Numa estrada vazia,
De curvas sinuosas,
Sem sinal que aponte a direção.
Ah! Esse dia cinzento...
Sem luz a clarear,
Faz  mais difícil o caminhar.
Mas... Não há como parar.
Entregar-me ao marasmo dos desiludidos
Ao desânimo dos descrentes?
Nunca!
Busco forças na esperança,
Agarro-me à vontade.
Renovo-me. Hoje. Amanhã.
SEMPRE.

              Maria do Carmo Marinho


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

QUEM ENTROU NA MINHA CABEÇA?







Sabe quem entrou na minha cabeça hoje? Estava fazendo um lanche, sentada no banquinho da cozinha. Pão integral com ricota, leite desnatado com café descafeinado. Pra não engordar e cuidar da saúde.  Por que será que só os alimentos com menos sabor não engordam? Você entrou na minha cabeça, assim “do nada,” como diz minha filha. Não costumo pensar em rainhas, muito menos em RAINHAS REAIS. Como a senhora. Que tem nome, chapéus cor-de-rosa, anda à noite pelos jardins do palácio, aproveitando a insônia. Outro dia ouvi falar de você. Achei-a bem simpática e justa. Em vez de dar uma bronca no segurança que pensou em atirar no vulto que viu, andando pelo jardim, durante a madrugada, prometeu ser mais cuidadosa e avisar, da próxima vez que o sono lhe faltar e resolver dar um passeio. Nunca pensei em sono de rainha. Deve ser um sono leve. Sono bom mesmo a gente tem depois de um dia cansado e rainha não deve se cansar nunca. Sem casa pra limpar, contas pra pagar, filhos pra levar e buscar na escola, trânsito caótico, filho desempregado, marido estressado... Fiquei pensando como deve ser a vida de rainha, principalmente como é ser casada com um Rei, ou melhor, com um Príncipe. Ele gosta de mandar em você? Já criticou suas roupas, seus modos, achando-os vulgares? Desconfiou que você poderia estar interessada em algum homem que frequente a corte, algum segurança, mordomo? Alguma vez, durante a vida, ele já gritou com você? Olha, sempre que lhe chamo de “Você”, estou pensando em Senhora, viu? Já lhe proibiu de fazer alguma coisa? Por exemplo, participar de uma reunião, fazer uma viagem sozinha? Ah! Ele já brigou com você, sem motivo, e no auge do descontrole lhe chamou de puta? Isto mesmo. Não se assuste. Os plebeus costumam ofender as mulheres com este nome e outros ofensivos e discriminatórios. Você, certamente desconhece a vida de mulheres comuns que povoam este imenso planeta. Que bom pra você!  Fico pensando como deve ser a vida de “Rainha” mesmo, não como dizia minha avó, referindo-se a alguma mulher que ela achava que tinha vida boa. Ela dizia: “Fulana tem vida de rainha”. Naquele tempo eu só ouvira falar das rainhas dos contos de fadas e eu sabia que elas não existiam. Mas, as vidas que minha avó achava que eram de rainhas, nem de longe lembravam, sequer, a vida das suas serviçais, que convivem com a riqueza e o luxo, embora deles não sejam donas. Fiquei aqui pensando, como deve ser a vida de rainha. Roupas, só de luxo,  jóias, as mais caras e lindas, perfumes, os mais caros e famosos, passeios, viagens, jantares, castelos, homenagens e ... um marido Príncipe. Como será ter um Príncipe como marido! Será que ele lhe trata sempre como uma “rainha”, ou será que algumas vezes, você já teve que fingir, publicamente, que tudo estava bem, quando lá dentro, bem no fundo, queria estar longe dele? Isto já aconteceu? Ele já foi grosseiro, mentiroso, criticou as suas roupas, o seu corpo? Você já foi dormir, alguma noite, chorando porque ele a destratou? Ah!  Às vezes acho que rainha não chora. Pelo menos, se chora, não deve mostrar para os outros. Afinal Rainha é Rainha. É poderosa, não pode demonstrar fraqueza. Tem que estar sempre serena, dar um  tchauzinho de leve, com um sorriso que sai pelos cantos da boca. Gargalhar, pode?  Descabelar? Certamente, não. Afinal não deve  existir motivo para isto. O Rei pode lhe dar beijos quando quiser e onde quiser? Nunca tinha pensado nisto. Será que existem protocolos especiais para se fazer os príncipes e princesas que nascem? Como é que um Casal Real ( Real de realeza),  faz “amor”? Agora é assim que se fala, né? Fazer amor. Será que rainha pode dar gritinhos, respirar alto, perder a linha? Ah! ...Deixa pra lá. Não cabe a mim imaginar. Fiquei aqui pensando, numa coisa que sempre me faz questionar: por que neste mundo algumas pessoas têm o privilégio de nascerem inteligentes, bonitas, ricas, nobres, famosas enquanto outras já nascem fadadas ao sofrimento que eu chamo de vitalício, ou seja, irá durar até a morte? Portadoras de doenças irreversíveis, físicas e mentais, em famílias miseráveis, entregues à própria sorte. Por que será?  Por que alguém tem o privilégio de nascer nobre? E outro a desventura de nascer pobre? Rainha é uma pessoa tão distante da minha realidade e da realidade que vemos à nossa volta, que nem consigo imaginar. Acostumada com tantos desafios pra vencer, problemas de toda ordem e em todos os lados da vida, imaginar a vida de rainha me dá tédio... Fui mal acostumada. É isso aí.

                                                      Maria do Carmo Marinho



Obs.: Fiquei em dúvida, se deveria escrever rainha com letra maiúscula ou minúscula. De um jeito ou de outro, o meu respeito por ela é o mesmo.

domingo, 30 de outubro de 2016

PENSANDO NO FIM








No dia 02 de novembro comemora-se o dia de Finados. Uma homenagem aos que já morreram. Flores são levadas aos cemitérios, missas celebradas. Acredito que a maioria pensa na morte dos outros e se esquece da própria. Que um dia chegará, inevitavelmente. Na época do colégio as freiras sempre diziam que quem pensa na morte, vive bem. Hoje não tenho dúvida. Se as pessoas pensassem na finitude da vida, por certo praticariam mais a generosidade, a compaixão, respeitariam e teriam mais cuidado com as  pessoas, com a natureza, aceitariam as diferenças. Não seriam tão agressivas, egoístas e violentas. Se assim procedesse a humanidade, por certo a vida seria realmente bonita como diz a canção do compositor Gonzaguinha “É bonita, é bonita e é bonita.” Como está, falta muito para se concretizar esta beleza. Infelizmente. Não me esqueço da morte e a vejo como ESPERANÇA. Dela veio a inspiração para “PENSANDO NO FIM”.

Se da vida eu pudesse,
Nas mãos, alguma  coisa levar,
Quando morresse,
Por certo eu levaria
A música, a estrela, o luar,
Todas as plantas,  crianças
E um pedaço do mar.

Esta ventura, eu sei,
Não me será dada,
Como não foi dada a ninguém.
Mas, outra maior, com certeza,
A todos se concedeu,
De aqui um dia deixar,
Tudo aquilo que se sofreu.
A dor, a desilusão,
A tristeza, a solidão,
O desencanto, o desalento,
A desdita, o dissabor.

Se as flores aqui ficam,
O sofrimento também.
Por isso, bendita seja a morte,
Bendito seja o fim.
Pois, se aqui não  podemos
Viver entre flores e alegria,
Porque espinhos insistem
A nos ferir em desafio,
A certeza do fim
É acalento, é esperança,
Que toda angústia alivia,
E faz viver cada instante,
Amando a cada momento,
Como se fosse a última hora
E como se fosse o último dia.


                   Maria do Carmo Marinho

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

POEMAS DE SOLIDÃO










Solidão não é apenas a falta de amor ou de pessoas. É falta de confiança, de afinidade.

SÓ...

Estou só...
Extremamente só.
O burburinho continua
Lá fora.
A vida acontecendo ....
Esvaindo-se,
Através dos meus dedos.
O fim de semana,
O dia agitado
E uma tremenda solidão!
Um desejo sufocado,
Uma vontade adiada.
Um TUDO
Que não diz NADA.
Estou só...
Apesar de TODOS.

                                                    Maria do Carmo Marinho


CONCLUSÃO

Não é perda de tempo,
Quando paro
E fico a avaliar
Os meus sentimentos,
As minhas necessidades,
As minhas inquietações.
Esta solidão me faz bem,
Porque não estou só.
Estou comigo.

                                            Maria do Carmo Marinho


INQUIETUDE

Permito-me parar e ficar,
Sem nada sério. Fazer para quê?
O compromisso limita.
Hoje não consigo pensar.
A lei, o cálculo, o prazo,
Nada me interessa.
Quero ficar assim...
(A cabeça meio tonta...).
Foi o analgésico.
Não o suporto mais.
Não consegue dopar
A consciência. Isso, nunca!
Vou para a rua?
...Há muita gente.
E não preciso de muita.
Basta uma? Ou algumas?
Quem sabe...
O que sei é que falta.

                                      Maria do Carmo Marinho